A lei da selva diz que o maior come o menor e, em termos evolucionista, o mais apto se sobressai sobre o mais fraco. A civilização inverte este princípio, pois apresenta a união de todos em prol do bem das partes. O maior coloca-se a serviço do menor. O Estado aparece em defesa do cidadão. A Religião representa a crença da maioria e defende a sua manifestação. Uma empresa produz bens fabricados pelos seus funcionários e leva-os para o mundo, através do capitalismo. O vasto mundo tomado pelos princípios civilizatórios coloca a natureza em outros eixos, vencendo as suas determinações e configurando o mundo de acordo com o sistema neurológico pensante dos seres menores, humanos. Contudo, a selvageria perpetua-se e encontra os meios mais sutis para se manifestar na ordem civilizatória. Desse modo, o Estado coloca-se contra o cidadão quando cria as maiores burocracias para o exercício da cidadania, transformando-se num monstro ao qual o cidadão precisa curvar-se senão será engolido. Não é por acaso que a cobrança de impostos é colocada ao lado da figura do leão. A Religião que se preocupa exageradamente com cobranças de doações, com aplicação de princípios e determinações, com poder político e outras obras mundanas, esmaga os mais necessitados, explora e torna-se o ópio do povo. A Inquisição fecha a discussão. Quando o trabalho não é mais uma atividade de produção da sobrevivência, mas a pura e única produção do lucro, esmaga as capacidades humanas e escraviza, transformando o capitalismo no monstro selvagem que dá lugar somente a quem pode mais, ao detentor do capital. Assim, a selvageria impera e a ordem civilizatória, fruto do córtex dos encéfalos altamente desenvolvidos, mostra-se traído em seu desenvolvimento.

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