A realidade humana é marcada pela fragilidade e pela impossibilidade de viver sozinho. Temos necessidade de conviver desde o mais tenro momento da nossa existência. A convivência muda seus padrões, mas há sempre a necessidade do outro. Somos seres incompletos, impossível viver como uma ilha, isolado de todos. Descobrimos aos poucos a realidade do outro e vamos nos percebendo em nossa individualidade solitária, mas com a possibilidade de abertura aquele que esta separado de nós e disso depende o desenvolvimento da existência. É no contato com o outro que a unicidade do humano em cada um se abre para a individualidade e para a alteridade. Nos construímos, na descoberta do outro como diverso de nós e no contato com o outro, e ajudamos a construir o outro com a nossa individualidade e oferta da riqueza do nosso ser. A convivência ajuda a prosseguir na existência e ao mesmo tempo em que somos responsáveis por nossos escolhas, por fazê-las na solidão do nosso ser, também recebemos a ajuda dos outros para continuarmos a existir e colaboramos na construção do ser dos outros. Assumindo esse aspecto da condição humana a existência vai adquirindo sentido e suas razões se manifestam.
Algumas patologias psicológicas possuem como sintoma a busca de isolamento e afastamento do outro. Mesmo em alguns momentos nossa emoção parece querer afastar-se do convívio para se reorganizar. Mas esses momentos acabam por manifestar mais ainda a necessidade de convívio, pois é no contato com o outro que podemos ser.
Assim, toma grande importância a qualidade do convívio, as possibilidades de abertura do ser que a convivência oferece com os nossos pares. Um escritor diz que não importa o que temos na vida, mas quem temos em nossa vida. Os outros com os quais convivemos podem nos ajudar a crescer, a se desenvolver, ou impedir que esse processo aconteça. Isso não significa retirar a responsabilidade por nossas escolhas e colocar no outro o peso da nossa existência, mesmo porque podemos escolher, até certo ponto, com quem queremos conviver.
A abertura da existência para o outro é a possibilidade de avançar na aventura da vida. Ter a coragem de conviver é ter coragem de existir. A convivência é um desafio, mas quando olhada do ponto de vista da construção do humano e do seu desenvolvimento é encorajadora e enche de esperança.
O Davi é um sábio.
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